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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Hoje

Não sei o que tenho hoje.
Não sei o que me falta hoje.
Não sei quem me falta hoje
Não sei quem sou hoje

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

DEPRESSÃO - EXCERTO DO ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL CORREIO DA MANHÃ


EXCERTO DO ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA DO CORREIO DA MANHÃ E A QUE SE REFERE O TÍTULO ABAIXO
PRESOS À DEPRESSÃO, DISPONÍVEL NO SITE DO JORNAL
"O afeto é muito importante. Conseguir dizer: ‘Eu gosto de ti, quero-te bem. Tu estás doente, vamos lutar por ti. Marcamos uma consulta, vou contigo, fico lá fora. Só tu é que falas dos teus problemas, não tenho nada com isso. Para mim, teria feito a diferença."
Maria José Lascas vive com depressão. Repete as palavras que nunca ouviu; que gostava de ouvir. Fala de um passado bem presente: há 17 anos tentou suicidar-se, como se o silêncio desse gesto não fosse notado por ninguém. Como se simplesmente apagasse a ‘luz’ da depressão. Estava iminente, mas não o fez. Pensou que os dois filhos nunca iriam recordá-la como boa mãe, dos beijos que lhes deu; "teriam sempre como última imagem que a mãe se suicidou". O seu caso é o oposto do de Eliana Sanches, 40 anos. A professora de Artes Visuais encontrada morta na semana passada, a 50 metros do carro, no Jamor, Oeiras, suicidou-se. Antes, envenenou os filhos com bolos. Rúben Daniel, de 12 anos, e David Tiago, 13, morreram dentro do carro. Tida como depressiva, Eliana tinha sido confrontada com a notícia de que o ex-marido – que a acusava de desleixo e maus-tratos aos filhos e com quem passou por episódios de violência – tinha ganho a guarda das crianças. A professora estava judicialmente proibida de ficar sozinha com os filhos.
"Eu acho que sou uma sobrevivente. A depressão é dolorosa. É horrível. Eu preferia ter um cancro a ter depressão, pela maneira como as pessoas olham para quem tem uma e outra doença" – confessa Maria José Lascas, 50 anos. "É difícil viver tantos anos em que por mais que eu tente, ou que as pessoas mais próximas – pais, marido, filhos, alguns amigos – digam que entendem a minha doença, nunca a entenderam."
Maria José Lascas passou por muitos momentos negativos. "Numa das vezes em que estive em crise, precisava de ir à casa de banho – e tentava ir –, mas as pernas vergavam e não conseguia. Nesses períodos piores parece que o próprio funcionamento do organismo pára, não se sente fome, o intestino fica muito lento. Parecemos um fantasma de nós próprios, ficamos separados da realidade até do nosso corpo." Nunca deixou de ser mãe e boa profissional. Maria José é procuradora da República no Alentejo. Um cargo de responsabilidade que a obriga a não falhar. A sua doença não interfere neste sentido. São os afetos. O problema é quando se isola por pensar que aqueles que ama já não precisam dela.
Afeto: esta é a palavra que Carlos (nome fictício) mastiga no pensamento vezes sem conta. "A depressão, para mim, centra-se na área afetiva. Tendo a ter uma atitude e um pensamento pessimistas." Carlos tem 60 anos. Vive em Lisboa, desempregado, sozinho – com uma vida afetiva "inexistente", aliás – mas antes chegou a partilhar a sua vida com outra pessoa durante 13 anos. "A depressão destrói, arruína a vida afetiva às pessoas porque lhes retira capacidades, força anímica."
Carlos deixou de tomar qualquer medicação. Acha os antidepressivos "inúteis". Prefere as consultas de psicologia na Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB). E como se sente no dia a dia? "Na melhor das hipóteses, sinto desconforto. Na pior, penso em suicídio – tem ocorrido várias vezes. Mas a certeza de que sou capaz de o fazer sem falhar acaba por ser dissuasora, se o fizesse seria a única vez."








sexta-feira, 4 de maio de 2012

Transcrição de Notícia - Universitários do Porto

Alunos universitários que apresentam ansiedade, pânico, depressão e doenças mais graves como esquizofrenia são os que mais procuram o serviço Consulta do Universitário, um apoio médico gratuito na Universidade do Porto.

«Alguns estudantes, a maior parte, vêm-nos procurar com patologia do foro ansioso e depressivo, sobretudo estudantes que estão deslocados das casas da família de base, mas também temos um grupo bastante representativo de indivíduos que têm patologia mais grave, tipo esquizofrenia», explicou Celeste Silveira, médica psiquiatra, numa entrevista telefónica à Lusa.
De acordo com a mesma agência noticiosa, o Hospital de São João no Porto oferece na Universidade este serviço de apoio gratuito que foca, desde 2007, na consulta psiquiátrica e saúde mental do estudante universitário.

«Acho que para a população dos estudantes do Ensino Superior deveria haver uma maior procura, mas os estudos dizem que estes estudantes, por questões de estigma e de sentimento de invasão da sua privacidade, muitas vezes não procuram tanto a ajuda dos serviços de psiquiatria como deveriam», acrescentou ainda a média psiquiatra, citada pela Lusa.

Os estudantes que mais têm procurado apoio na área da saúde mental são os de Medicina, mas também há alunos de Enfermagem, Engenharia, e Arquitetura.

Apesar das patologias identificadas, a psiquiatra Celeste Silveira revela que há ainda poucos universitários a pedir apoio sobre consumo de estupefacientes.


Limito-me a proceder à transcrição porquanto o texto fala por si.
A depressâo não é coisa privada dos mais sensíveis, dos fracos, dos velhos, das mulheres etc. como qualquer outra doença, AVC, Cancro que por vezes até ocorre mesmo naqueles que têm vidas saudáveis, alimentação equilibrada, exercício físico, são alegres, confiantes etc... A depressão não é uma doença de excepção!   

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Depressão e a DOR

Quando iniciei este blog já sabia que teria que pagar um preço pela sua existência.
Sabia que quem me conhecia mudaria o seu olhar sobre mim, seu sentir, e de pessoa afável depressa seria convertida em alguém que é melhor ignorar...
Não tenho peste ou outra doença contagiosa, mas para muitas pessoas deixei de ser uma pessoa normal e susceptível de consideração para um ser defeituoso, com capacidades diminuídas, que pode vir a faltar ao trabalho e a causar incómodos com as substituições, que não se pode ter inteira confiança no seu trabalho, dá-lo como meritório e depois vir a faltar com baixa ( se está de baixa é logo dito que tem depressão, mesmo que esteja com uma pneumonia...)... Sou ainda ingénua, e a vida me guarde essa ingenuidade pueril, mas não sou nem ignorante nem burra. Por isso, contava com a hostilidade, a frieza, a incompreensão... etc que no geral decorre da ignorância, mesmo daqueles que por razões da sua profissão, dos seus mestrados, dos honorários cobrados têm obrigação de saber mais. Mas, veja-se o exemplo dos médicos, especializam-se num bocadinho do corpo e desligam-se da evolução do saber que vai acontecendo noutras áreas da Medicina... Já me cruzei com vários que sabem menos de Psicologia e Psiquiatria do que eu, e eu nada sei... Por isso, como criticar a ignorância de outras pessoas, licenciadas ou não, em áreas da matemática ou das línguas, contabilidade... Sempre senti que ninguém realmente percepcionava o meu estado, o meu sentir , as minhas dores... nem aqueles que por afecto continuaram ligados a mim.
Por isso a necessidade que sinto de assumir publicamente esta doença que mina por dentro e que tantas vezes ouve a palavra mais dolorosa, mesmo quando quem a diz nem tem intenção de ferir.
Estou viva não morri, trabalho, crio em termos artísticos, nada em meu corpo é contagioso, tenho os níveis de colestrol óptimos, um KI acima da média, tenho 50 anos, sou uma pessoas sensível e disponível para ajudar os outros... Só que há momentos, às vezes minutos, horas, dias, meses... em que a depressão é mais forte do que eu! Nesses momentos, eu sou a mesma, mas tenho um cansaço tremendo, dores intoleráveis e a única vontade que poderei sentir será a de morrer... Mas sei que não morro, sei que a dor há-de melhorar bem como o cansaço. Ninguém me diz isso, sou eu que sei, que já passei pelo mesmo nem que seja de outra forma e, no fim, fui eu que venci! vencerei sempre! Percebi que esse era o meu único poder terreno, não era a propriedade duma casa bonita, dum carro, de mais um vestido, de ser ou não amada por alguém... Não o meu maior poder era acreditar no meu próprio poder sobre mim! Se estou viva devo em parte à Medicina, mas sobretudo à minha capacidade de resistência e sofrimento, ao meu inato instinto de sobrevivência, à minha pesquisa incessante para entender a doença - lendo, lendo - mas sobretudo à minha decisão de que neste planeta não será a depressão e a ignorância ainda existente sobre ela que me vencerá! A última palavra será minha e não a da minha doença. Acreditar que por mais doloroso ou demorado que seja, vamos mais uma vez, abrir as portas do nosso corpo e da nossa mente ao Universo ajuda-me a superar. Há quem acredite na intervenção divina e reze... eu acredito que o melhor de mim, a minha parte divina, sarará ainda que deixando muitas chagas abertas a ferida que me domina... Tenho orgulho em mim, em ter assumido este blog pelos que sofrem, não obstante isso me tivesse retirado a proximidade de algumas pessoas e o seu afecto para quem passei a valer menos socialmente e profissionalmente, a ser tratada com desinteresse, distância, até frieza ... Este blog e partilha é uma forma de amar os outros, de partilhar as suas dores e medos - tão mais valioso que aquilo que perdi e na verdade, ingénua, nada me fora dado....
Não pretendo culpabilizar ninguém! a culpa é uma das inimigas duma vida sã.
Curar uma depressão muitas vezes passa por ultrapassar a culpa, o medo e ser capaz de perdoar, a si e aos outros. A mim doí-me ainda muito a injustiça de não ter tido aquilo que desejei, que esperava receber de outrém, no passado e no presente. Sei que foi ilusão minha, nada me fora prometido... Ainda não atingi o nível superior de não depender do comportamento do outro, de não deixar afectar por ela, pela frustração... sei que esse é o meu caminho interior que me falta percorrer.
Mas isto não se aplica a outrém... Outros terão que descobrir qual é o seu próprio caminho,  cair e levantar-se nele, derrubar as barreiras escorregar na lama, cair e levantar-se uma e outra vez...          

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A depressão doi

Sugiro este site, recente e sério:
Não deixe de se elucidar, por si e pelos outros
Basta clicar:
A depressão dói

Seguidores

Livros cuja leitura recomendo

  • Sexo e Amor, de Francesco Alberoni, Bertrand Editora
  • Recriar o Seu Ser, Neale Donald Walsch
  • O Profeta, Khalil Gibran
  • O Poder do Agora, Eckhart Tolle, Pergaminho
  • O Feminino Reencontrado, de Nathalie Durel, Ariana Editora
  • O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, de Robert Fisher, Editorial Presença
  • O Caminho Menos Percorrido, de M. Scott PecK, colecção xix
  • As Vozes de Marraquexe, Elias Canetti

Depressão - quando como porquê...

A criação deste Blog advém de, ao longo de vários anos, ter percepcionado que em Portugal esta doença é quase tabu; envolvida pela vergonha de quem padece e pelo desconhecimento político da sua real dimensão e implicações, bem como das respostas existentes para o seu tratamento... Apenas pretendo abrir um espaço para a interrogação a denúncia a informação... Talvez dessa troca de ideias resulte benefício para alguém ( doente, familiar, amigo... ) como, por exemplo, a identificação do seu sofrimento, o início da compreensão e da aceitação da depressão como doença, um incentivo para a procura de mais conhecimentos, um incentivo para predir ajuda na sua cura ou na melhor qualidade de vida, ou o renovar da esperança perdida... Bem hajam! os que quiserem e não tiverem medo ou vergonhar de comentar: criticar, sugerir, informar, questionar, contar, interrogar-se, lamentar-se...