Para uma troca de conhecimentos e experiências sobre a depressao enquanto doença tabu. Doença nova ou antiga, doença ou estado de espírito, qual a sua real dimensão, os seus efeitos, crónica ou curável, como é vista pelos outros: médicos, familiares, colegas, amigos...?
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quinta-feira, 3 de junho de 2021
sábado, 27 de abril de 2013
A oscilação do humor
As minhas oscilações começaram por ser indefinidas no tempo até se tornarem diárias.
E até há umas semanas podia vê~las como uma sucessão de pequenas colinas e de vales, de monótona simetria
Nos últimos dias, a inconstância entre estar um pouco melhor e estar péssima vejo-a representada por um daqueles gráficos dos exames cardíacos.
Chego a perguntar-me como consigo cair com tanta rapidez e que assim é mesmo impossível não me sentir sempre cansada...
E até há umas semanas podia vê~las como uma sucessão de pequenas colinas e de vales, de monótona simetria
Nos últimos dias, a inconstância entre estar um pouco melhor e estar péssima vejo-a representada por um daqueles gráficos dos exames cardíacos.
Chego a perguntar-me como consigo cair com tanta rapidez e que assim é mesmo impossível não me sentir sempre cansada...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Desesperança
Na sequência da entrevista que dei ao Correio da Manhã sobre a minha depressão, seguiram-se os comentários habituais:
- mas tem trabalho, tem filhos... não tem motivos para ter depressão;
- mas não parece, até é uma pessoa com bom aspecto,
- então o que é que se passa, é algum problema com o trabalho, não isso já passou não foi?!
- então fale, desabafe e olhe isto é assim mesmo é preciso é força de vontade!
Repeti para mim própria: " é chover no molhado, não adianta eu digo uma coisa e as pessoas não lêem o que lá está... devem achar é que sou parvinha ou são invenções frescuras de quem tem a barriga cheia"...
Talvez não valha mesmo a pena, só entenda quem vive assim... mas vale pelo menos para outros que como eu são aniquilados pela desesperança tantas vezes, instante a instante, estão calmos e num instante sentem tudo isto, tudo muda sem que nada se mova.
- mas tem trabalho, tem filhos... não tem motivos para ter depressão;
- mas não parece, até é uma pessoa com bom aspecto,
- então o que é que se passa, é algum problema com o trabalho, não isso já passou não foi?!
- então fale, desabafe e olhe isto é assim mesmo é preciso é força de vontade!
Repeti para mim própria: " é chover no molhado, não adianta eu digo uma coisa e as pessoas não lêem o que lá está... devem achar é que sou parvinha ou são invenções frescuras de quem tem a barriga cheia"...
Talvez não valha mesmo a pena, só entenda quem vive assim... mas vale pelo menos para outros que como eu são aniquilados pela desesperança tantas vezes, instante a instante, estão calmos e num instante sentem tudo isto, tudo muda sem que nada se mova.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Correio da Mnhã
Hoje, domingo, foi publicado uma artigo na revista do ´Jornal Correio da Manhã sobre Depressão e o aumento do consumo de antidepressivos em Portugal, no qual vêm também publicados excertos do meu depoimento, entre os de outras pessoas, com depressão e de técnicos.
Aceitei dar a cara, como o faço aqui, na esperança de alertar para a doença, para os seus sintomas, para os efeitos que provoca nos que nos estão próximos e na sua dificuldade em entender esta doença...
Não temos que ter vergonha, não somos culpados da doença... tal como quem tem cancro não o é.
Não somos inferiores a ninguém, até nos podemos tornar em pessoas melhores, mais humanas.
Nada é fácil, mas é possível!... viver com depressão e tirar partido de momentos bons...
Aceitei dar a cara, como o faço aqui, na esperança de alertar para a doença, para os seus sintomas, para os efeitos que provoca nos que nos estão próximos e na sua dificuldade em entender esta doença...
Não temos que ter vergonha, não somos culpados da doença... tal como quem tem cancro não o é.
Não somos inferiores a ninguém, até nos podemos tornar em pessoas melhores, mais humanas.
Nada é fácil, mas é possível!... viver com depressão e tirar partido de momentos bons...
terça-feira, 26 de abril de 2011
A Morte
A Morte tão desejada às vezes por uns e tão temida por muitos.
Só quando passa perto valorizamos realmente a vida e convertemos a maioria dos que partem como verdadeiros amigos e como boas pessoas, perdoando algum defeito que lhe encontrámos.
Dizer o que disse é um lugar comum-
Mas faz sentido num blog como este sobre a depressão.
Só quando passa perto valorizamos realmente a vida e convertemos a maioria dos que partem como verdadeiros amigos e como boas pessoas, perdoando algum defeito que lhe encontrámos.
Dizer o que disse é um lugar comum-
Mas faz sentido num blog como este sobre a depressão.
segunda-feira, 8 de março de 2010
O Vazio
O Vazio
Falta, ausência de, nada, inexistência, não ser, vivo-morto... São tantas as palavras que se podem utilizar para tentar descrever a sensação de vazio, e todas ficam aquém do sentido. Exterior ou interior o vazio tende a tomar o todo, a dominar o que existe, a tornar morto o que vive, a parar o que ainda mexia até à total inacção ou vazio absoluto...
Tanto, tanto poder o do vazio. Supera medicamentos palavras afectos...
Até ao dia em que se reconhecer a sua não existência. O vazio é uma criação da mente, como uma imaginação em que se acredita. Quem a criou pode extingui-la, a partir do momento em que tomar consciência de que nem tudo o que a nossa mente nos apresenta é verdadeiro. As criações da mente não existem por si sem o seu criador, a mente não existem sem o seu portador, somos nós que temos a condução da nossa mente, não outrém ou ela de per si...
Esta evidência terá que ser não apenas reconhecida racionalmente, mas aceite com a sua simplicidade mas também com a grandeza que daí decorre.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
O Poder do Perdão
Não obstante não professar nenhuma religião é evidente que fui influenciada e continuo a sê-lo por diversos modos pelo pensamento judaico-cristão. Sempre me fascinou que Cristo crucificado tivesse como último apelo o pedido de perdão ao Pai para aqueles que dele se riam e o apredejavam e condenavam à morte. Parecia não um acto humano mas dum ser efectivamente superior. Hoje penso que o perdão é um meio essencial para o caminho da felicidade. Sempre me foi muito difícil perdoar, dizia que perdoava mas não esquecia, ou seja efectivamente não sabia perdoar. Não sabia perdoar aos outros e muito menos a mim própria, ficava tudo gravado cá dentro no cérebro, no coração, no corpo, na alma e de vez enquando demorava-me a reviver tais momentos, consumindo-me na minha dor, na frustação. O perdão não é um caminho fácil,,, é talvez o mais longo, mais demorado mas o único que nos pode levar à tranquilidade interior, à paz, à saúde.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Suicídio - Post em construção
Em Portugal, segundo o psiquiatra Ricardo Gusmão, morrem mais pessoas por suicídio do que por homicídio ou HIV/Sida»: mais de quatro pessoas põem termo à vida por dia.
Etiquetas:
depressão,
psiquiatra Ricardo Gusmão,
suicidio
sábado, 15 de novembro de 2008
O caminho - querer e agir

Nesta fase da minha vida é normal que já não acredite que o Menino Jesus desce pela chaminé para dar presentes. Eu já acreditei, embora soubesse que lá em cima a chaminé era estreita, nunca me tivesse dado nada do que lhe pedi nem nada de relevo ( nunca tive assim tão pouca imaginação ou fui tão pouco interesseira e materialista que lhe fosse pedisse tostões, rebuçados pretos ou meias cinzentas... ). Bom era o sonho da noite de 24, decepcionante o acordar de 25! Não me recordo de ter ficado zangada com o Menino Jesus, que imaginava não um filho de Deus mas bebé gordinho e despido, sem maldade sem culpa. Penso que para todos a maior decepção é quando descobrimos que não é nem o Menino Jesus nem o Pai Natal que nos dão os presentes... Conheço uma criança que já sabendo disso, na noite de Natal continuou a acreditar prolongando a sua felicidade por mais alguns anos...
Também é normal que com esta idade já tivesse deixado de acreditar no Príncipe encantado, na alma gémea, no amor eterno, nos milagres... Sim de certa forma deixei, racionalmente deixei sem dúvida! O problema é que em certas matérias a nossa mente sempre que nos distraímos vai buscar estas crenças antigas para nos enganar e perpetuando vazios mágoas...
A ilusão só vale até certo limite - se só nos traz felicidade - caso contrário torna mais dolorosa a realidade em que se vive. Passar duma vida dupla de ilusão e realidade para uma vida só, é em alguns casos o caminho para sair da depressão. Se passarmos o tempo a comparar a ilusão com a realidade claro que esta perde sempre. Mas a verdade é que a primeira não existe, somos nós que a inventamos. E às vezes a realidade também não é tal qual a vemos, nós é que a carregamos de pensamentos negativos, como se tivéssemos posto uns óculos que seleccionam partes do que devemos ver, cortando o que nos podia dar uma visão global e correcta. Assim, vemos pequenas partes e formamos um puzzle errado. Vejamos um exemplo. Vemos numa jaula um coelhinho branquinho um leão e um tigre e ficamos cheios de receio pelo vida do coelho.
Cortaram-nos tudo o que apontava tratar-se dum circo, pois se tivéssemos visto por exemplo o tratador com as suas vestes brilhantes o nosso coração já aclamaria um pouco, e então se víssemos que o lindo coelhinho é manobrado por pilhas e a final quem está na jaula veste de palhaço se calhar até suspirávamos de alívio e nos predispúnhamos para uma risada...
Com isto quero dizer que a nossa mente engana-nos, é preciso estarmos muito atentos... Por outro lado depende muito de nós, da nossa mente, a forma como vemos a nossa vida. A nossa infelicidade ou felicidade depende de como vemos a realidade, a vida que temos ou vivemos depende de nós, da nossa coragem da capacidade de mudarmos a nossa maneira de pensar de agir de amar...
Dir-se-á que não basta desejar é preciso quer e agir.
E agirá sempre quem quer o suficiente?
Tenho lido, que a cura tem que se tornar na prioridade da vida do deprimido.
Nada, ninguém pode estar em primeiro lugar - NINGUÉM - nem filhos, nem pais, nem amigos nem o seu Deus, nenhum dos seus problemas.
Só quando essa consciência se instalar se pode iniciar o caminho...
sábado, 8 de novembro de 2008
Além dos suicídios consumados, há ainda tantos tentados
Esta semana podia ler-se nos jornais e revistas que Angelina Jolie antes do actual casamento com contratara um profissional para a matar, pois queria suicidar-se...
Já se cortara provocando uma extensa hemorragia, mas não resultara.
Pode surpreender que esta mulher tão bela e rica tenha tentado suicidar-se. Mas as causas do suícidio são muitas e as perturbações mentais não escolhem entre ricos e pobres, belos e menos belos.
Para mim fica sobretudo o facto de esta mulher bela e rica não ter vergonha de assumir a situação pela qual passou e que ultrapassou. Porque é possível sobreviver ( melhorar a qualidade de vida) e em muitas situações curar a depressão.
Já se cortara provocando uma extensa hemorragia, mas não resultara.
Pode surpreender que esta mulher tão bela e rica tenha tentado suicidar-se. Mas as causas do suícidio são muitas e as perturbações mentais não escolhem entre ricos e pobres, belos e menos belos.
Para mim fica sobretudo o facto de esta mulher bela e rica não ter vergonha de assumir a situação pela qual passou e que ultrapassou. Porque é possível sobreviver ( melhorar a qualidade de vida) e em muitas situações curar a depressão.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
O que é a depressão?
Não se confunde com um desgosto, nem é uma mera melancolia!
Todos conhecemos pessoas que perdem um familiar muito próximo e durante algum ficam tristes, choram, não têm gosto na realização das tarefas, perdem o apetite mas que pouco a pouco vão assumindo a realização das suas tarefas, aceitando o acontecido, retomando a sua vida... Outras pessoas-B há que passados meses não se levantam, só choram, não têm vontade para nada nem para cuidar dos outros filhos, saiem da cama para o sofá e dali para a cama onde ficam às escuras com a cabeça tapada, não desejam estar com ninguém, têm dores e um nó no peito ou na garganta, sentem-se sózinhas e incompreendidas... e à sua volta ninguém sabe o que fazer.
As pessoas A sofreram apenas um desgosto, as pessoas B entraram em depressão...
A classificação com depressão é complexa, pode assemelhar-se nos sintomas a outras patologias e só um ténico de saúde, médico de família, psiquiatra, psicólogo... o poderá fazer correctamente.
E não há erro maior que pormo-nos a qualificar o nosso estado como depressão e a tomar os anti-depressivos ou calmantes dum amigo! Primeiro porque pode não ser depressão mas até uma doença com origem apenas física e depois porque a nossa depressão possivelmente é diferente, o nosso corpo é diferente e carece de outro tipo de tratamento... Não se pode brincar com os antidepressivos, não são meros cházinhos que se não curam também não matam.
Todos conhecemos pessoas que perdem um familiar muito próximo e durante algum ficam tristes, choram, não têm gosto na realização das tarefas, perdem o apetite mas que pouco a pouco vão assumindo a realização das suas tarefas, aceitando o acontecido, retomando a sua vida... Outras pessoas-B há que passados meses não se levantam, só choram, não têm vontade para nada nem para cuidar dos outros filhos, saiem da cama para o sofá e dali para a cama onde ficam às escuras com a cabeça tapada, não desejam estar com ninguém, têm dores e um nó no peito ou na garganta, sentem-se sózinhas e incompreendidas... e à sua volta ninguém sabe o que fazer.
As pessoas A sofreram apenas um desgosto, as pessoas B entraram em depressão...
A classificação com depressão é complexa, pode assemelhar-se nos sintomas a outras patologias e só um ténico de saúde, médico de família, psiquiatra, psicólogo... o poderá fazer correctamente.
E não há erro maior que pormo-nos a qualificar o nosso estado como depressão e a tomar os anti-depressivos ou calmantes dum amigo! Primeiro porque pode não ser depressão mas até uma doença com origem apenas física e depois porque a nossa depressão possivelmente é diferente, o nosso corpo é diferente e carece de outro tipo de tratamento... Não se pode brincar com os antidepressivos, não são meros cházinhos que se não curam também não matam.
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Seguidores
Livros cuja leitura recomendo
- Sexo e Amor, de Francesco Alberoni, Bertrand Editora
- Recriar o Seu Ser, Neale Donald Walsch
- O Profeta, Khalil Gibran
- O Poder do Agora, Eckhart Tolle, Pergaminho
- O Feminino Reencontrado, de Nathalie Durel, Ariana Editora
- O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, de Robert Fisher, Editorial Presença
- O Caminho Menos Percorrido, de M. Scott PecK, colecção xix
- As Vozes de Marraquexe, Elias Canetti
Depressão - quando como porquê...
A criação deste Blog advém de, ao longo de vários anos, ter percepcionado que em Portugal esta doença é quase tabu; envolvida pela vergonha de quem padece e pelo desconhecimento político da sua real dimensão e implicações, bem como das respostas existentes para o seu tratamento... Apenas pretendo abrir um espaço para a interrogação a denúncia a informação... Talvez dessa troca de ideias resulte benefício para alguém ( doente, familiar, amigo... ) como, por exemplo, a identificação do seu sofrimento, o início da compreensão e da aceitação da depressão como doença, um incentivo para a procura de mais conhecimentos, um incentivo para predir ajuda na sua cura ou na melhor qualidade de vida, ou o renovar da esperança perdida... Bem hajam! os que quiserem e não tiverem medo ou vergonhar de comentar: criticar, sugerir, informar, questionar, contar, interrogar-se, lamentar-se...