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sábado, 27 de abril de 2013

A oscilação do humor

As minhas oscilações começaram por ser indefinidas no tempo até se tornarem diárias.
E até há umas semanas podia vê~las como uma sucessão de pequenas colinas e de vales, de monótona simetria  
Nos últimos dias, a inconstância entre estar um pouco melhor e estar péssima vejo-a representada por um daqueles gráficos dos exames cardíacos.
Chego a perguntar-me como consigo cair com tanta rapidez e que assim é mesmo impossível não me sentir sempre cansada...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Desesperança

Na sequência da entrevista que dei ao Correio da Manhã sobre a minha depressão, seguiram-se os comentários habituais:
- mas tem trabalho, tem filhos... não tem motivos para ter depressão;
- mas não parece, até é uma pessoa com bom aspecto,
- então o que é que se passa, é algum problema com o trabalho, não isso já passou não foi?!
- então fale, desabafe e olhe isto é assim mesmo é preciso é força de vontade!


Repeti para mim própria: " é chover no molhado, não adianta eu digo uma coisa e as pessoas não lêem o que lá está... devem achar é que sou parvinha ou são invenções frescuras de quem tem a barriga cheia"...  

Talvez não valha mesmo a pena, só entenda quem vive assim... mas vale pelo menos para outros que como eu são aniquilados pela desesperança tantas vezes, instante a instante, estão calmos e num instante sentem tudo isto, tudo muda sem que nada se mova.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Correio da Mnhã

Hoje, domingo, foi publicado uma artigo na revista do ´Jornal Correio da Manhã sobre Depressão e o aumento do consumo de antidepressivos em Portugal, no qual vêm também publicados excertos do meu depoimento, entre os de outras pessoas, com depressão e de técnicos.
Aceitei dar a cara, como o faço aqui, na esperança de alertar para a doença, para os seus sintomas, para os efeitos que provoca nos que nos estão próximos e na sua dificuldade em entender esta doença...
Não temos que ter vergonha, não somos culpados da doença... tal como quem tem cancro não o é.
Não somos inferiores a ninguém, até nos podemos tornar em pessoas melhores, mais humanas.
Nada é fácil, mas é possível!... viver com depressão e tirar partido de momentos bons...

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Morte

A Morte tão desejada às vezes por uns e tão temida por muitos.
Só quando passa perto valorizamos realmente a vida e convertemos a maioria dos que partem como verdadeiros amigos e como boas pessoas, perdoando algum defeito que lhe encontrámos.
Dizer o que disse é um lugar comum-
Mas faz sentido num blog como este sobre a depressão.  

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Vazio

O Vazio
Falta, ausência de, nada, inexistência, não ser, vivo-morto... São tantas as palavras que se podem utilizar para tentar descrever a sensação de vazio, e todas ficam aquém do sentido. Exterior ou interior o vazio tende a tomar o todo, a dominar o que existe, a tornar morto o que vive, a parar o que ainda mexia até à total inacção ou vazio absoluto... 

Tanto, tanto poder o do vazio. Supera medicamentos palavras afectos...
Até ao dia em que se reconhecer a sua não existência. O vazio é uma criação da mente, como uma imaginação em que se acredita. Quem a criou pode extingui-la, a partir do momento em que tomar consciência  de que nem tudo o que a nossa mente nos apresenta é verdadeiro. As criações da mente não existem por si sem o seu criador, a mente não existem sem o seu portador, somos nós que temos a condução da nossa mente, não outrém ou ela de per si...
Esta evidência terá que ser não apenas reconhecida racionalmente, mas aceite com a sua simplicidade mas também com a grandeza que daí decorre.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Poder do Perdão

Não obstante não professar nenhuma religião é evidente que fui influenciada e continuo a sê-lo por diversos modos pelo pensamento judaico-cristão. Sempre me fascinou que Cristo crucificado tivesse como último apelo o pedido de perdão ao Pai para aqueles que dele se riam e o apredejavam e condenavam à morte. Parecia não um acto humano mas dum ser efectivamente superior. Hoje penso que o perdão é um meio essencial para o caminho da felicidade. Sempre me foi muito difícil perdoar, dizia que perdoava mas não esquecia, ou seja efectivamente não sabia perdoar. Não sabia perdoar aos outros e muito menos a mim própria, ficava tudo gravado cá dentro no cérebro, no coração,  no corpo, na alma e de vez enquando demorava-me a reviver tais momentos, consumindo-me na minha dor, na frustação. O perdão não é um caminho fácil,,, é talvez o mais longo, mais demorado mas o único que nos pode levar à tranquilidade interior, à paz, à saúde.  

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Suicídio - Post em construção

Em Portugal, segundo o psiquiatra Ricardo Gusmão, morrem mais pessoas por suicídio do que por homicídio ou HIV/Sida»: mais de quatro pessoas põem termo à vida por dia.

sábado, 15 de novembro de 2008

O caminho - querer e agir


Nesta fase da minha vida é normal que já não acredite que o Menino Jesus desce pela chaminé para dar presentes. Eu já acreditei, embora soubesse que lá em cima a chaminé era estreita, nunca me tivesse dado nada do que lhe pedi nem nada de relevo ( nunca tive assim tão pouca imaginação ou fui tão pouco interesseira e materialista que lhe fosse pedisse tostões, rebuçados pretos ou meias cinzentas... ). Bom era o sonho da noite de 24, decepcionante o acordar de 25! Não me recordo de ter ficado zangada com o Menino Jesus, que imaginava não um filho de Deus mas bebé gordinho e despido, sem maldade sem culpa. Penso que para todos a maior decepção é quando descobrimos que não é nem o Menino Jesus nem o Pai Natal que nos dão os presentes... Conheço uma criança que já sabendo disso, na noite de Natal continuou a acreditar prolongando a sua felicidade por mais alguns anos...

Também é normal que com esta idade já tivesse deixado de acreditar no Príncipe encantado, na alma gémea, no amor eterno, nos milagres... Sim de certa forma deixei, racionalmente deixei sem dúvida! O problema é que em certas matérias a nossa mente sempre que nos distraímos vai buscar estas crenças antigas para nos enganar e perpetuando vazios mágoas...

A ilusão só vale até certo limite - se só nos traz felicidade - caso contrário torna mais dolorosa a realidade em que se vive. Passar duma vida dupla de ilusão e realidade para uma vida só, é em alguns casos o caminho para sair da depressão. Se passarmos o tempo a comparar a ilusão com a realidade claro que esta perde sempre. Mas a verdade é que a primeira não existe, somos nós que a inventamos. E às vezes a realidade também não é tal qual a vemos, nós é que a carregamos de pensamentos negativos, como se tivéssemos posto uns óculos que seleccionam partes do que devemos ver, cortando o que nos podia dar uma visão global e correcta. Assim, vemos pequenas partes e formamos um puzzle errado. Vejamos um exemplo. Vemos numa jaula um coelhinho branquinho um leão e um tigre e ficamos cheios de receio pelo vida do coelho.

Cortaram-nos tudo o que apontava tratar-se dum circo, pois se tivéssemos visto por exemplo o tratador com as suas vestes brilhantes o nosso coração já aclamaria um pouco, e então se víssemos que o lindo coelhinho é manobrado por pilhas e a final quem está na jaula veste de palhaço se calhar até suspirávamos de alívio e nos predispúnhamos para uma risada...


Com isto quero dizer que a nossa mente engana-nos, é preciso estarmos muito atentos... Por outro lado depende muito de nós, da nossa mente, a forma como vemos a nossa vida. A nossa infelicidade ou felicidade depende de como vemos a realidade, a vida que temos ou vivemos depende de nós, da nossa coragem da capacidade de mudarmos a nossa maneira de pensar de agir de amar...

Dir-se-á que não basta desejar é preciso quer e agir.

E agirá sempre quem quer o suficiente?

Tenho lido, que a cura tem que se tornar na prioridade da vida do deprimido.

Nada, ninguém pode estar em primeiro lugar - NINGUÉM - nem filhos, nem pais, nem amigos nem o seu Deus, nenhum dos seus problemas.

Só quando essa consciência se instalar se pode iniciar o caminho...

sábado, 8 de novembro de 2008

Além dos suicídios consumados, há ainda tantos tentados

Esta semana podia ler-se nos jornais e revistas que Angelina Jolie antes do actual casamento com contratara um profissional para a matar, pois queria suicidar-se...
Já se cortara provocando uma extensa hemorragia, mas não resultara.
Pode surpreender que esta mulher tão bela e rica tenha tentado suicidar-se. Mas as causas do suícidio são muitas e as perturbações mentais não escolhem entre ricos e pobres, belos e menos belos.
Para mim fica sobretudo o facto de esta mulher bela e rica não ter vergonha de assumir a situação pela qual passou e que ultrapassou. Porque é possível sobreviver ( melhorar a qualidade de vida) e em muitas situações curar a depressão.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O que é a depressão?

Não se confunde com um desgosto, nem é uma mera melancolia!
Todos conhecemos pessoas que perdem um familiar muito próximo e durante algum ficam tristes, choram, não têm gosto na realização das tarefas, perdem o apetite mas que pouco a pouco vão assumindo a realização das suas tarefas, aceitando o acontecido, retomando a sua vida... Outras pessoas-B há que passados meses não se levantam, só choram, não têm vontade para nada nem para cuidar dos outros filhos, saiem da cama para o sofá e dali para a cama onde ficam às escuras com a cabeça tapada, não desejam estar com ninguém, têm dores e um nó no peito ou na garganta, sentem-se sózinhas e incompreendidas... e à sua volta ninguém sabe o que fazer.
As pessoas A sofreram apenas um desgosto, as pessoas B entraram em depressão...
A classificação com depressão é complexa, pode assemelhar-se nos sintomas a outras patologias e só um ténico de saúde, médico de família, psiquiatra, psicólogo... o poderá fazer correctamente.
E não há erro maior que pormo-nos a qualificar o nosso estado como depressão e a tomar os anti-depressivos ou calmantes dum amigo! Primeiro porque pode não ser depressão mas até uma doença com origem apenas física e depois porque a nossa depressão possivelmente é diferente, o nosso corpo é diferente e carece de outro tipo de tratamento... Não se pode brincar com os antidepressivos, não são meros cházinhos que se não curam também não matam.

Seguidores

Livros cuja leitura recomendo

  • Sexo e Amor, de Francesco Alberoni, Bertrand Editora
  • Recriar o Seu Ser, Neale Donald Walsch
  • O Profeta, Khalil Gibran
  • O Poder do Agora, Eckhart Tolle, Pergaminho
  • O Feminino Reencontrado, de Nathalie Durel, Ariana Editora
  • O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, de Robert Fisher, Editorial Presença
  • O Caminho Menos Percorrido, de M. Scott PecK, colecção xix
  • As Vozes de Marraquexe, Elias Canetti

Depressão - quando como porquê...

A criação deste Blog advém de, ao longo de vários anos, ter percepcionado que em Portugal esta doença é quase tabu; envolvida pela vergonha de quem padece e pelo desconhecimento político da sua real dimensão e implicações, bem como das respostas existentes para o seu tratamento... Apenas pretendo abrir um espaço para a interrogação a denúncia a informação... Talvez dessa troca de ideias resulte benefício para alguém ( doente, familiar, amigo... ) como, por exemplo, a identificação do seu sofrimento, o início da compreensão e da aceitação da depressão como doença, um incentivo para a procura de mais conhecimentos, um incentivo para predir ajuda na sua cura ou na melhor qualidade de vida, ou o renovar da esperança perdida... Bem hajam! os que quiserem e não tiverem medo ou vergonhar de comentar: criticar, sugerir, informar, questionar, contar, interrogar-se, lamentar-se...