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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Incêndios

Os acontecimentos destes dias, em Portugal, deviam dar-nos força interior e fazer-nos sentir que, afinal, a nossa dor é pequena face à de todos aqueles que perderam família, amores, casas, fábricas, pinhais, animais.... Devia conseguir agarrar-nos ao sabor da vida e trazer-nos à toda e ao convívio da realidade, com enorme vontade de fazer e sentir bem estar.
Devia, se a tristeza da pessoa deprimida derivasse de uma racional avaliação da sua condição de vida.
Mas não é assim, houve um tempo em que eu dizia que tinha tudo e estava deprimida. Na verdade, perdi muito desse tudo e continuei com depressão. E sei que por mais que viesse a ter não é por aí que a depressão me deixará ou a conseguirei mandar embora.
Na verdade, o mal estar alheio não melhora o humor da pessoa com depressão! Melhora sim o humor das pessoas invejosas que não têm depressão.
Os acontecimentos recentes deixam-nos ainda mais deprimidos, mais tristes, numa enorme sensação de impotência para mudar seja o que for. A Tv, os jornais, as conversas são um bombardear constante do negativo... Para quem tem depressão deixo o meu conselho - defendam-se o mais possível! Não fiquem horas e horas a ver notícias sobre este assunto, assistir a debates televisivos, a uma feira de vaidades com a mira nas eleições... Usem o positivo!!! Se têm como ajudar: Ajudem quem perdeu tudo!
Há sempre como ajudar - dinheiro, bens, palavras de conforto, abraços... Tudo isso faz-nos bem por dentro e faz bem a quem precisa. Mesmo com depressão pode tentar/fazer algo que faça a diferença.
Prove que é melhor e mais capaz do que se julgava!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

DEPRESSÃO - EXCERTO DO ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL CORREIO DA MANHÃ


EXCERTO DO ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA DO CORREIO DA MANHÃ E A QUE SE REFERE O TÍTULO ABAIXO
PRESOS À DEPRESSÃO, DISPONÍVEL NO SITE DO JORNAL
"O afeto é muito importante. Conseguir dizer: ‘Eu gosto de ti, quero-te bem. Tu estás doente, vamos lutar por ti. Marcamos uma consulta, vou contigo, fico lá fora. Só tu é que falas dos teus problemas, não tenho nada com isso. Para mim, teria feito a diferença."
Maria José Lascas vive com depressão. Repete as palavras que nunca ouviu; que gostava de ouvir. Fala de um passado bem presente: há 17 anos tentou suicidar-se, como se o silêncio desse gesto não fosse notado por ninguém. Como se simplesmente apagasse a ‘luz’ da depressão. Estava iminente, mas não o fez. Pensou que os dois filhos nunca iriam recordá-la como boa mãe, dos beijos que lhes deu; "teriam sempre como última imagem que a mãe se suicidou". O seu caso é o oposto do de Eliana Sanches, 40 anos. A professora de Artes Visuais encontrada morta na semana passada, a 50 metros do carro, no Jamor, Oeiras, suicidou-se. Antes, envenenou os filhos com bolos. Rúben Daniel, de 12 anos, e David Tiago, 13, morreram dentro do carro. Tida como depressiva, Eliana tinha sido confrontada com a notícia de que o ex-marido – que a acusava de desleixo e maus-tratos aos filhos e com quem passou por episódios de violência – tinha ganho a guarda das crianças. A professora estava judicialmente proibida de ficar sozinha com os filhos.
"Eu acho que sou uma sobrevivente. A depressão é dolorosa. É horrível. Eu preferia ter um cancro a ter depressão, pela maneira como as pessoas olham para quem tem uma e outra doença" – confessa Maria José Lascas, 50 anos. "É difícil viver tantos anos em que por mais que eu tente, ou que as pessoas mais próximas – pais, marido, filhos, alguns amigos – digam que entendem a minha doença, nunca a entenderam."
Maria José Lascas passou por muitos momentos negativos. "Numa das vezes em que estive em crise, precisava de ir à casa de banho – e tentava ir –, mas as pernas vergavam e não conseguia. Nesses períodos piores parece que o próprio funcionamento do organismo pára, não se sente fome, o intestino fica muito lento. Parecemos um fantasma de nós próprios, ficamos separados da realidade até do nosso corpo." Nunca deixou de ser mãe e boa profissional. Maria José é procuradora da República no Alentejo. Um cargo de responsabilidade que a obriga a não falhar. A sua doença não interfere neste sentido. São os afetos. O problema é quando se isola por pensar que aqueles que ama já não precisam dela.
Afeto: esta é a palavra que Carlos (nome fictício) mastiga no pensamento vezes sem conta. "A depressão, para mim, centra-se na área afetiva. Tendo a ter uma atitude e um pensamento pessimistas." Carlos tem 60 anos. Vive em Lisboa, desempregado, sozinho – com uma vida afetiva "inexistente", aliás – mas antes chegou a partilhar a sua vida com outra pessoa durante 13 anos. "A depressão destrói, arruína a vida afetiva às pessoas porque lhes retira capacidades, força anímica."
Carlos deixou de tomar qualquer medicação. Acha os antidepressivos "inúteis". Prefere as consultas de psicologia na Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB). E como se sente no dia a dia? "Na melhor das hipóteses, sinto desconforto. Na pior, penso em suicídio – tem ocorrido várias vezes. Mas a certeza de que sou capaz de o fazer sem falhar acaba por ser dissuasora, se o fizesse seria a única vez."








sexta-feira, 4 de maio de 2012

Transcrição de Notícia - Universitários do Porto

Alunos universitários que apresentam ansiedade, pânico, depressão e doenças mais graves como esquizofrenia são os que mais procuram o serviço Consulta do Universitário, um apoio médico gratuito na Universidade do Porto.

«Alguns estudantes, a maior parte, vêm-nos procurar com patologia do foro ansioso e depressivo, sobretudo estudantes que estão deslocados das casas da família de base, mas também temos um grupo bastante representativo de indivíduos que têm patologia mais grave, tipo esquizofrenia», explicou Celeste Silveira, médica psiquiatra, numa entrevista telefónica à Lusa.
De acordo com a mesma agência noticiosa, o Hospital de São João no Porto oferece na Universidade este serviço de apoio gratuito que foca, desde 2007, na consulta psiquiátrica e saúde mental do estudante universitário.

«Acho que para a população dos estudantes do Ensino Superior deveria haver uma maior procura, mas os estudos dizem que estes estudantes, por questões de estigma e de sentimento de invasão da sua privacidade, muitas vezes não procuram tanto a ajuda dos serviços de psiquiatria como deveriam», acrescentou ainda a média psiquiatra, citada pela Lusa.

Os estudantes que mais têm procurado apoio na área da saúde mental são os de Medicina, mas também há alunos de Enfermagem, Engenharia, e Arquitetura.

Apesar das patologias identificadas, a psiquiatra Celeste Silveira revela que há ainda poucos universitários a pedir apoio sobre consumo de estupefacientes.


Limito-me a proceder à transcrição porquanto o texto fala por si.
A depressâo não é coisa privada dos mais sensíveis, dos fracos, dos velhos, das mulheres etc. como qualquer outra doença, AVC, Cancro que por vezes até ocorre mesmo naqueles que têm vidas saudáveis, alimentação equilibrada, exercício físico, são alegres, confiantes etc... A depressão não é uma doença de excepção!   

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ilusão

A ilusão pode mover montanhas, construir castelos e ser o fio condutor de toda uma vida. Se há mal nisso ou não é uma questão de perspectiva. Por vezes a realidade apresenta-se de uma dureza tal que a fuga para a ilusão surge como a única defesa, a única gratificação, o único lugar de repouso, a única forma de vida aceitável... Podem viver-se as chamadas vidas duplas que são apenas uma, alienar-se de tal modo que apenas na ilusão se sobrevive e nela se acredita como sendo a única verdade ou seja a única verdadeira realidade. Será tal atitude doentia, parece que sim. Mas não deixa de constituir um direito também de quem faz tal opção se dela estiver consciente. O que acontece em regra é que se vivem ilusões umas atrás de outras se um verdadeira consciência de que a realidade existe, estamos metidos nela quer queiramos ou não, mas optamos por nos continuar a iludir porque imediatamente é mais fácil menos penoso...
Assim acontece sempre que temos um problema que não conseguimos enfrentar ou julgamos sem solução, sejam dívidas, emoções, solidão...
Adiamos o agora e preferimos empenhar ainda mais o futuro com a agudização do problema por resolver. Enquanto o pau vai folgam as costas! Mas não me parece que folguem mesmo com a ânsia da nova pancada que se avizinha! Assim é com a vivência deste estado ilusório enquanto meio de fuga à realidade... e com a constante angústia que a vivência nessa dualidade provoca...
Viver o agora é não ficarmos presos do passado e não o gastar a antecipar as possibilidades do futuro.
Mas viver o agora é vivê-lo tal qual ele é, sem fugas à aceitação da realidade. E a realidade nem sempre é tão má quanto aqueles a que ela fogem a visualizam.
A realidade têm sempre n soluções e n perspectivas e não apenas uma. Penso que esse é o maior erro de quem foge para a ilusão e lá se acorrenta. 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Palavras à toa

Durante esta semana fui-me cruzando com casos de pessoas ao que tudo aparenta portadoras de depressão ou pelo menos que vivenciam estados depressivos eventualmente com outras causas.
Tentei intervir tanto junto de familiares e num caso consegui chegar mesmo junto da pessoa em sofrimento falar com ela entendê-la, partilhar com ela a minha vivência mas não consegui convencê-la a aceitar a consulta médica e uns exames que até já lhe foram prescritos.
Para além dos meus dramas pessoais carrego mais estes para os quais não consegui até agora qualquer alteração... E vejo o quanto a família cansada de comportamentos que queria ver modificados e que não entende, começa a aceitá-los como habituais e vai-se acomodando a ver o outro assim e a substituir-se-lhe nas tarefas, diminuindo os contactos que deixam de ser gratificantes mas penosos. E o deprimido quando diz que está a perder a família e os amigos e estes dizem que é o deprimido que os afasta querendo ficar sozinho, isolado, dizendo não a qualquer convite, têm os dois lados razão no seu sentir porque assim é, quebrando-se a comunicação que antes fluía naturalmente.

Sinto-me muitas vezes incapaz, inútil e cansada pelo que não consigo fazer em prol dos outros...
Sei que a minha doença vive comigo como a minha coluna vertebral vive comigo ou os meus olhos e tento viver com ela todos os instantes da minha vida futura. Também sei o preço ( em muitos níveis: profissional, social, emocional, familiar, económico...) que tenho pago por continuar a viver e o quanto outras pessoas foram afectadas e prejudicadas pela minha doença, mesmo sem me ajudarem mesmo sem me compreenderem e algumas ainda mais por isso.
Não pretendo com isto obter a pena de ninguém! A uns atinge a depressão, a outros um AVC, a outros um cancro, a sida, a hepatite, a morte dum filho, a cegueira... Cada qual sabe de si, da sua dor.
Sei da minha e da minha travessia...
E vejo que ( sem contar com o sofrimento da doença) quantas facadas já levei só neste Outono: profissionais, monetárias, emocionais, de pessoas que me podiam fazer-me sorrir e de pessoas que nem conheço...     
Mas nada me dói tanto quanto estas minhas tentativas falhadas de dar um impulso a quem está perdido e podia encetar um caminho de esperança... (sei também que a dificuldade em ultrapassar as frustrações é um dos sintomas da própria doença). E sei também que tantas vezes um sinal, uma flor, um sorriso, uma palavra, um gesto no momento certo mudam a história de uma vida, ou de um dia, ou a tristeza de um momento...
Nada do que digo é novo, original ou importante. As palavras são apenas o meu modo de lidar com a minha tristeza, a minha inabilidade, a minha frustração... Como as minhas atitudes não têm o poder de mudar a realidade, a minha tristeza, de determinar os outros a agir... mas que mais posso fazer?! Arrastar as pessoas à força para os consultórios médicos?! arrastar a contra-vontade as pessoas para terem os gestos certos a fazerem os outros felizes?! Escrever em todos os lugares por onde passo o que levaria a minha tristeza  para longe?!
Ás vezes é preciso um abanão sim! Mas se a acção não nasce dentro de cada um, precisa sempre do empurrão do outro. E quando o outro não está, ou se distrai ou está movido nesse momento pelo mais singelo do seu próprio interesse?! Tudo irá ruir de novo...   

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Depressão ou Melancolia - transcrição de um texto de Florianópolis, 16/08/2011

Nós portugueses necessitamos muito do Brasil e podemos aprender muito com o Brasil.
Com uso da língua portuguesa em lugar algum se fala tanto de depressão, dos problemas sociais, ecológicos, de poesia de cultura....
16/08/2011 às 16h39min - Atualizada em 16/08/2011 às 16h39min

Conheça diferenças entre a depressão e o estado de melancolia
O cineasta dinamarquês Lars von Trier trouxe à cena a melancolia, que estava escondida num canto escuro da casa, encoberta pelo termo médico "depressão".
Seu novo filme é um retrato desse estado de ânimo em todos os aspectos: dos psiquiátricos (sintomas da depressão) aos filosóficos (a tristeza como consciência da solidão humana no universo).
O tema está na ordem do dia, afirma o psicólogo Marco Antônio Rotta Teixeira, que faz sua tese sobre melancolia e depressão na tradição do pensamento ocidental. "Mas a melancolia vem sendo falada com a roupa da depressão."
O atual conceito médico da depressão usa dados mensuráveis para definir esse estado, como tempo de duração de sintomas.
Para a psicanálise, a melancolia é o estágio mais extremo da depressão. A apatia do melancólico é fruto da perda de algo ou de alguém, que precisa ser compreendida e superada, em um processo semelhante ao do luto. A diferença é que, enquanto no luto a perda é compreendida, na melancolia ela é inconsciente: não se sabe o que foi perdido.
"Nada atrai o melancólico, a não ser o próprio sofrimento. Ele está absorvido nele mesmo", diz Sandra Edler, autora de "Luto e Melancolia: À Sombra do Espetáculo" (Civilização Brasileira, R$ 19). A cultura atual conspira contra o melancólico, diz a psicanalista. "Se a pessoa perde algo, precisa se recolher, mas a vida a chama para um eterno desempenho, se não quiser perder espaço."

É o que pensa, também, a psicóloga Ana Cleide Moreira, autora de "Clínica da Melancolia" (Escuta, R$ 37). "Se não temos tempo nem de pensar, não percebemos a perda de algo importante."

Nesse caso, é mais fácil aliviar o sofrimento com remédios. "A sociedade não assimila os estados de tristeza. Precisamos eliminá-los rapidamente para continuar trabalhando", diz Teixeira.

Essa crítica não significa, ressalta ele, fazer apologia da tristeza ou rejeitar as chances dadas pela ciência para lidar com ela.
"As pessoas falam que há um aumento dos casos de depressão, mas o que as pesquisas mostram é um aumento na prescrição de antidepressivos", diz o psiquiatra Ricardo Moreno, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Os psiquiatras, psicanalistas e psicólogos concordam que drogas têm um papel importante.

"Muitas vezes é necessário tratar a melancolia com remédios. Sem eles, alguns não conseguem nem chegar ao consultório", diz a psicanalista Sandra Edler.
TEMPERAMENTO DE GÊNIOS
O filme de Trier, as referências aos sintomas de depressão são explícitas. Como na cena em que Justine (personagem baseada na experiência pessoal do cineasta) não consegue nem entrar no banho.
Os clichês usados para abarcar a tristeza profunda também estão lá: noite, lua, sombras, noiva.
É a retomada da concepção de melancolia como algo que tem uma manifestação doentia (a depressão), mas não é só isso, não pode ser explicado só pela ciência e transcende o indivíduo.
Mesmo sem dizer seu nome, as pessoas reconhecem o sentimento de melancolia. Está na hora em que você percebe não fazer parte da festa, no banzo da noite de domingo, na lembrança da morte.
A melancolia ganhou diferentes definições na história e até hoje é assim, dependendo de quem fala dela" diz Teixeira.
Hipócrates (460-377 a.C.) a definiu como doença causada por acúmulo da bile negra, que resultaria no temperamento melancólico. O vocábulo vem do grego "melas" (negro) e "kholé" (bile).
O filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) levou o conceito para outro plano: a melancolia era uma característica da genialidade, associada ao conhecimento e à intelectualidade.
O professor e crítico de arte Rodrigo Naves lembra que a associação entre genialidade e melancolia é de uma época em que o conceito de individualidade não existia.
"A melancolia era uma deusa, que regia as artes liberais. Nessa noção, a pessoa é preenchida por algo que vem de fora, é regida por entidades, planetas", diz Naves.
Na mitologia e na astrologia, é Saturno, deus do tempo, que devora seus filhos, que traz a morte. No filme de Trier, é o planeta que vem acabar com o mundo.
"A grande ideia da melancolia é justamente a de embaralhar as fronteiras entre dois temperamentos que parecem opostos: o da pessoa deprimida e o da pessoa criativa", diz Frédéric René Guy Petitdemange, professor de História da Arte da Universidade Anhembi Morumbi.
Na semana passada, Petitdemange deu uma aula sobre a iconografia da melancolia na arte do Ocidente, baseada em uma exposição sobre esse tema realizada em Paris e Berlim, em 2006.
Para ele, a essência da melancolia -tristeza profunda ligada ao sentimento de vazio, à perda e à impossibilidade de encontrar sentido nos rituais sociais- não mudou. "A maneira de se discutir o tema pode mudar, mas são questões universais."
LINK DA NOTÍCIA - ESPALHE POR AÍ!

Florianópolis, 16/08/2011 - 22:37:16 - Tenha uma boa noite


segunda-feira, 11 de abril de 2011

O que valorizar

Há uma verdade muito simples mas difícil de praticar: não valorizamos o que somos e o que de bom temos ou nos acontece mas sim o que não temos ou o que já perdemos.
De algum modo esta atitude só nos conduz à tristeza ao sofrimento inútil, à depressão. Repito este modo de pensar e de ser é muito comum e difícil de concertar, mas vale a pena tentaar mudá-lo nem que seja meio passo de cada vez.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Distimia

Com o fim de divulgar, e quem sabe ajudar a que alguém procure o tratamento adequado, publico excertos deste texto por me parecer daqueles que dum modo simples melhor descrevem esta doença
DISTIMIA - ESTADO CRÔNICO DE DEPRESSÃO

Sinônimos e nomes populares:
Transtorno distímico, neurose depressiva, depressão neurótica, neurastenia, transtorno depressivo de personalidade.
...
A distimia é uma doença do humor, como a depressão, porém ocorrendo de uma forma crônica, com a persistência de tristeza por longo tempo (pelo menos dois anos), durando a maior parte do dia, na maioria dos dias.
Além do humor triste de forma prolongada, a pessoa pode sentir o apetite aumentado ou diminuído, insônia ou muita sonolência, sensação de baixa energia e cansaço, baixa auto-estima, com pensamentos de não ter valor ou ser incapaz, apresentando ainda dificuldade em concentrar-se ou em tomar decisões, além de ter sentimentos de falta de esperança. Não necessariamente todos esses sintomas deverão estar presentes, mas muitos são comuns.
Diferentemente da depressão, a distimia pode deixar o indivíduo com a sensação de que este é o seu jeito normal de ser, com dizeres como "sempre fui desse jeito ". Há, portanto, uma perda de autocrítica quanto à doença, o que, somado ao baixo interesse em várias áreas da vida, pode levar ao isolamento ou a uma vida limitada, com poucos relacionamentos sociais, inclusive dificuldades profissionais e familiares. Normalmente não há um período mais agudo da doença, com os sintomas sendo mantidos de uma forma estável durante anos, porém é comum ocorrer a depressão propriamente dita em uma pessoa previamente com distimia, o que costuma ser chamado de depressão dupla. Em outros casos, pode ocorrer inicialmente um episódio depressivo, em que não ocorre remissão total dos sintomas, e que o quadro clínico residual caracteriza um episódio distímico.
...
A distimia freqüentemente começa cedo na vida, na infância, adolescência ou início da idade adulta, por isso facilmente confundindo-se com o jeito de ser da pessoa. Em crianças, muitas vezes expressa-se por irritabilidade e mau humor, ou então pode parecer “boazinha” demais, sendo uma criança que brinca e permanece quieta a maior parte do tempo, que não faz bagunça, não incomoda, e não raro, diz-se que esse é o “jeitinho” dela. Em adolescentes pode associar-se principalmente à rebeldia e irritabilidade, mas isolamento e abuso de drogas podem ocorrer.
Comumente a pessoa com distimia não procura tratamento por esse problema. Porém, esta é uma doença freqüentemente associada a outras, como depressão, transtornos de ansiedade (principalmente transtorno do pânico), abuso de álcool e drogas e múltiplas queixas físicas (dores, por exemplo) de origem psicológica. Portanto, são pessoas que terminam por recorrer a vários tratamentos médicos, muitas vezes usando várias medicações, mas não tratando especificamente a distimia.
...
A distimia em geral requer tratamento medicamentoso e psicoterápico. A medicação utilizada geralmente envolve antidepressivos, e nos casos em que há comorbidade com outras patologias, o tratamentos destas também se faz necessário. A psicoterapia é fundamental no tratamento desses pacientes, podendo ser cognitivo-comportamental, ou de orientação analítica. Em alguns casos, a terapia familiar pode auxiliar na melhora do paciente e de sua família, uma vez que eles vem há muitos anos com um padrão disfuncional de comportamento e relacionamento entre os membros. "

Colaboradoras
Dra. Alice Sibile Koch
Dra. Dayane Diomário da Rosa








quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ESCUTA O TEU CORPO

"Escuta o teu Corpo" é o título de um livro de Lise Bourbeau, publicado em Portugal pela editora Pergaminho cuja leitura vale a pena, não tanto pelo seu todo mas porque do princípio ao fim insiste na necessidade de aprendermos a ler os sinais que o nosso corpo nos dá sobre o nosso estado de saúde físico e mental.
Hoje já sei ler ( quase sempre) os sinais que o meu corpo de dá.
Mas nem sempre foi assim e aprendi à custa da repetição de sinais e depois de fiar doente, por mais do que uma doença.
Aprendi, por exemplo, que se a minha tensão arterial começa a subir e os meus pés a ficarem inchados tal significa que nos últimos dias não bebi água suficiente - beber água para mim é um sacrifício... mas depois a doença é pior.
E muitas outros sinais e com consequências físicas que me aconteceram ao longo da vida, alguns que só anos passados entendi. Mas não só cnsequências físicas...

Hoje sei que não soube ler os sinais que o meu corpo me deu sobre a eminência da depressão antes de ela existir. O meu estomâgo e a minha cabeça através da dor manifestaram-se. Nem eu soube nem profissionais que me assistiram e até eram muito bons na sua especialidade... A formação especializadíssima pode impedir uma visão global da situação, ver de outro modo.
E nem todos os profissionais da saúde psiquica ligam muito aos sinais do corpo...

terça-feira, 20 de julho de 2010

O arco-íris da depressão

De entre as últimas notícias que entrei sobre este tema, achei esta particularmente interessante pelo que decidi transcrevê-la aqui neste blog:


Depressão faz o mundo olhar aborrecido

Julho 18, 2010

questão Magazine 2769. Assinar e salvar

Para histórias similares , visite o Saúde Mental Guia de Tópicos

Para as pessoas com depressão o mundo realmente não olhar aborrecido. Isso porque a sua capacidade de perceber o contraste é prejudicada.

Para investigar as relações entre os transtornos de humor e visão, Emanuel Bubl na Universidade de Freiburg , na Alemanha, e colegas executou um eletrodo ao longo de um olho em cada uma das 40 pessoas com depressão, e 40 pessoas sem . Os eletrodos mediram a actividade dos nervos que conectam fotorreceptores - que detectam diferentes aspectos da luz - para o nervo óptico , mas não o cérebro.

Os participantes se sentou em uma sala pouco iluminada e assistiu a uma tela preta e branca xadrez que se tornou mais cinzento em seis fases distintas, reduzindo o contraste entre cada praça. Cada fase foi apresentada por 10 segundos , eo experimento foi repetido mais de uma hora .
A equipe descobriu que os sinais elétricos para o nervo óptico foram menores em pessoas com depressão. Por exemplo, ao ver o palco com quadrados pretos e brancos , os voluntários saudáveis tiveram três vezes a atividade do nervo das pessoas com depressão , indicando que a depressão diminui a capacidade de detecção de contraste. A depressão mais grave de uma pessoa , pior a sua percepção de contraste (Biological Psychiatry, DOI: 10.1016/j.biopsych.2010.02.009).
Martin Mathew Iverson - da Universidade da Austrália Ocidental em Perth diz que este poderia ser porque os neurotransmissores que regulam a atividade do nervo da visão também poderia ser envolvido na emoção.
Bubl acredita que uma técnica semelhante poderia ser utilizada para auxiliar no diagnóstico da depressão clínica.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A complexidade humana

Somos seres deveras complexos e excessivamente complicados.

Fazemos duma simples palavra um turbilhão de emoções. Carregamos o passado, quanto mais negro e pesado melhor, tememos todo o futuro apesar de sabermos que nada pudemos prever e não conseguimos parar no presente saboreando-o.
Somos imperfeitos e centramo-nos nas imperfeições ignorando todo o resto que somos, exigindo a perfeição de nós dos outros, mesmo sabendo que ninguém foi ou é perfeito...
Se a perfeição existisse seria um tédio. O que iriamos desejar: a imperfeição?!

Sempre crente de que ninguém sem depressão consegue perceber o que esta é, verifiquei ontem quanto uma pessoa com depressão também pode ser incapaz de perceber, por exemplo, a toxicodepência.
Fiquei surpreeendida como alguém que padece duma doença tão incompreendida e que não se mostra mais tolerante, mais predisposta, para tentar perceber as fragilidades dos outros quando diferentes das suas...
Apetece-me dizer como na rádio: vale a pena pensar nisto.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O SOL, o melhor dos antidepressivos

Na erva a água espelhavava o céu, um bando de garças brancas ensaiava o voo e eu resplandecia o momento.
Nada era igual e só porque um raio de sol rasgara o céu.
Não tinha pressa nem me importava o tempo da viajem.
Como era possível que em mim coubesse tanta mudança sendo eu a mesma?!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O Vazio

"Não sei se a falta é no corpo no espírito na matéria na alma, se é que tudo isso tenho, não é de lugar nem de pessoa nem de coisa nenhuma.
Falta que enchia de chuva de sol da labareda do lume do fumo de papoilas amoras de pão de pão… e nada me preenchia… Será de abraço colo mimo, de quem partiu, que perto existe e longe procuro, do infinito, se me quero infeliz e inconformada..."


Este sentimento de vazio acompanha provavelmente alguém nosso conhecido, ou até nosso amigo.
Será que não podemos contribuir para ajudar a preencher este vazio?...

Fundação Robert Enke

Criada Fundação Robert Enke contra a depressão



O recente desaparecimento do guarda-redes Robert Enke surpreendeu o mundo e deixou uma mensagem sobre o cariz mais elusivo dos sintomas de depressão.


Para além dessa palavra, Robert Enke deixou um grande legado no mundo futebolístico e desportivo, pelo que a Federação Alemã de Futebol, a Bundesliga e o Hannover, equipa cujas redes defendia antes de falecer, criaram a Fundação Robert Enke como homenagem ao internacional alemão, com uma verba inicial de cerca de 150 mil euros para começar a sua actividade.


A Federação Alemã declarou no comunicado que oficializou a criação dessa fundação que: “O objetivo desta Fundação é o de apoiar iniciativas e medidas que visem a abordagem do tema da depressão no desporto e na sociedade”.



sábado, 28 de novembro de 2009

Consequências da depressão

Depressão pode aumentar riscos de incontinência urinária

Diário Digital
Mulheres idosas que sofrem de depressão correm mais risco de desenvolver
incontinência urinária, segundo um estudo da Universidade de Washington,
nos EUA. ...

Veja todos os artigos sobre este tópico:
http://news.google.com/news/story?ncl=http://diariodigital.sapo.pt/news.asp%3Fsection_id%3D62%26id_news%3D423346&hl=pt-BR
Idosos: Depressão triplica nos lares
Expresso
Na próxima década, 20% da população ibérica terá mais de 65 anos,

sendo previsível que 10% dos idosos sofram de depressão e 8% de outros

distúrbios mentais, ...

Seguidores

Livros cuja leitura recomendo

  • Sexo e Amor, de Francesco Alberoni, Bertrand Editora
  • Recriar o Seu Ser, Neale Donald Walsch
  • O Profeta, Khalil Gibran
  • O Poder do Agora, Eckhart Tolle, Pergaminho
  • O Feminino Reencontrado, de Nathalie Durel, Ariana Editora
  • O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, de Robert Fisher, Editorial Presença
  • O Caminho Menos Percorrido, de M. Scott PecK, colecção xix
  • As Vozes de Marraquexe, Elias Canetti

Depressão - quando como porquê...

A criação deste Blog advém de, ao longo de vários anos, ter percepcionado que em Portugal esta doença é quase tabu; envolvida pela vergonha de quem padece e pelo desconhecimento político da sua real dimensão e implicações, bem como das respostas existentes para o seu tratamento... Apenas pretendo abrir um espaço para a interrogação a denúncia a informação... Talvez dessa troca de ideias resulte benefício para alguém ( doente, familiar, amigo... ) como, por exemplo, a identificação do seu sofrimento, o início da compreensão e da aceitação da depressão como doença, um incentivo para a procura de mais conhecimentos, um incentivo para predir ajuda na sua cura ou na melhor qualidade de vida, ou o renovar da esperança perdida... Bem hajam! os que quiserem e não tiverem medo ou vergonhar de comentar: criticar, sugerir, informar, questionar, contar, interrogar-se, lamentar-se...