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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

DEPRESSÃO - EXCERTO DO ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL CORREIO DA MANHÃ


EXCERTO DO ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA DO CORREIO DA MANHÃ E A QUE SE REFERE O TÍTULO ABAIXO
PRESOS À DEPRESSÃO, DISPONÍVEL NO SITE DO JORNAL
"O afeto é muito importante. Conseguir dizer: ‘Eu gosto de ti, quero-te bem. Tu estás doente, vamos lutar por ti. Marcamos uma consulta, vou contigo, fico lá fora. Só tu é que falas dos teus problemas, não tenho nada com isso. Para mim, teria feito a diferença."
Maria José Lascas vive com depressão. Repete as palavras que nunca ouviu; que gostava de ouvir. Fala de um passado bem presente: há 17 anos tentou suicidar-se, como se o silêncio desse gesto não fosse notado por ninguém. Como se simplesmente apagasse a ‘luz’ da depressão. Estava iminente, mas não o fez. Pensou que os dois filhos nunca iriam recordá-la como boa mãe, dos beijos que lhes deu; "teriam sempre como última imagem que a mãe se suicidou". O seu caso é o oposto do de Eliana Sanches, 40 anos. A professora de Artes Visuais encontrada morta na semana passada, a 50 metros do carro, no Jamor, Oeiras, suicidou-se. Antes, envenenou os filhos com bolos. Rúben Daniel, de 12 anos, e David Tiago, 13, morreram dentro do carro. Tida como depressiva, Eliana tinha sido confrontada com a notícia de que o ex-marido – que a acusava de desleixo e maus-tratos aos filhos e com quem passou por episódios de violência – tinha ganho a guarda das crianças. A professora estava judicialmente proibida de ficar sozinha com os filhos.
"Eu acho que sou uma sobrevivente. A depressão é dolorosa. É horrível. Eu preferia ter um cancro a ter depressão, pela maneira como as pessoas olham para quem tem uma e outra doença" – confessa Maria José Lascas, 50 anos. "É difícil viver tantos anos em que por mais que eu tente, ou que as pessoas mais próximas – pais, marido, filhos, alguns amigos – digam que entendem a minha doença, nunca a entenderam."
Maria José Lascas passou por muitos momentos negativos. "Numa das vezes em que estive em crise, precisava de ir à casa de banho – e tentava ir –, mas as pernas vergavam e não conseguia. Nesses períodos piores parece que o próprio funcionamento do organismo pára, não se sente fome, o intestino fica muito lento. Parecemos um fantasma de nós próprios, ficamos separados da realidade até do nosso corpo." Nunca deixou de ser mãe e boa profissional. Maria José é procuradora da República no Alentejo. Um cargo de responsabilidade que a obriga a não falhar. A sua doença não interfere neste sentido. São os afetos. O problema é quando se isola por pensar que aqueles que ama já não precisam dela.
Afeto: esta é a palavra que Carlos (nome fictício) mastiga no pensamento vezes sem conta. "A depressão, para mim, centra-se na área afetiva. Tendo a ter uma atitude e um pensamento pessimistas." Carlos tem 60 anos. Vive em Lisboa, desempregado, sozinho – com uma vida afetiva "inexistente", aliás – mas antes chegou a partilhar a sua vida com outra pessoa durante 13 anos. "A depressão destrói, arruína a vida afetiva às pessoas porque lhes retira capacidades, força anímica."
Carlos deixou de tomar qualquer medicação. Acha os antidepressivos "inúteis". Prefere as consultas de psicologia na Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB). E como se sente no dia a dia? "Na melhor das hipóteses, sinto desconforto. Na pior, penso em suicídio – tem ocorrido várias vezes. Mas a certeza de que sou capaz de o fazer sem falhar acaba por ser dissuasora, se o fizesse seria a única vez."








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  • Sexo e Amor, de Francesco Alberoni, Bertrand Editora
  • Recriar o Seu Ser, Neale Donald Walsch
  • O Profeta, Khalil Gibran
  • O Poder do Agora, Eckhart Tolle, Pergaminho
  • O Feminino Reencontrado, de Nathalie Durel, Ariana Editora
  • O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, de Robert Fisher, Editorial Presença
  • O Caminho Menos Percorrido, de M. Scott PecK, colecção xix
  • As Vozes de Marraquexe, Elias Canetti

Depressão - quando como porquê...

A criação deste Blog advém de, ao longo de vários anos, ter percepcionado que em Portugal esta doença é quase tabu; envolvida pela vergonha de quem padece e pelo desconhecimento político da sua real dimensão e implicações, bem como das respostas existentes para o seu tratamento... Apenas pretendo abrir um espaço para a interrogação a denúncia a informação... Talvez dessa troca de ideias resulte benefício para alguém ( doente, familiar, amigo... ) como, por exemplo, a identificação do seu sofrimento, o início da compreensão e da aceitação da depressão como doença, um incentivo para a procura de mais conhecimentos, um incentivo para predir ajuda na sua cura ou na melhor qualidade de vida, ou o renovar da esperança perdida... Bem hajam! os que quiserem e não tiverem medo ou vergonhar de comentar: criticar, sugerir, informar, questionar, contar, interrogar-se, lamentar-se...